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CUSC acusa PS de não querer discutir o Hospital no Seixal

29/09/2015

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A Comissão de Utentes da Saúde da Freguesia de Corroios considera ‘incompreensível o atraso na conclusão do relatório da deputada Ana Catarina Mendes’, que impediu que a Petição pela construção do Hospital no Seixal (que reuniu 8.237 assinaturas), entregue na Assembleia da República em 16 de Dezembro, fosse discutida em Plenário durante a actual legislatura.
Segundo a CUSC refere em comunicado ‘torna-se ainda mais incompreensível, sendo esta Deputada recandidata e cabeça de lista do Partido Socialista pelo distrito de Setúbal, o que lhe confere uma responsabilidade acrescida e que ainda recentemente reiterou a esta Comissão de Utentes o seu apoio a esta causa, colocando a construção do Hospital no Seixal nas prioridades de um governo do PS que viesse a sair destas eleições legislativas.’
José Lourenço, representante da Comissão de Utentes, refere que ‘aquando de um contacto pessoal connosco, a deputada justificou o atraso na entrega do relatório da Petição com sucessivos bloqueios colocados pela maioria PSD/CDS e a sua oposição em que descesse a Plenário nesta legislatura.
Tendo em conta que esse facto constaria da acta da reunião da Comissão Parlamentar nomeada para o efeito, foi lhe pedido e obtivemos a promessa de que a cópia da acta seria envida à CUSC via email em dois ou três dias. O certo é que já passou um mês e, apesar de, por três vezes, termos insistido, ainda nada nos chegou às mãos.
Perante esta atitude pouco confiável da deputada, a Comissão de Utentes reitera a convicção, que aliás transmitiu pessoalmente, de que o Partido Socialista não quer fazer esta discussão, e confirma a sua falta de vontade em construir um hospital público no Seixal.’
O comunicado da CUSC indica ainda outras questões fundamentais para a saúde do concelho, nomeadamente o atraso na construção do Centro de Saúde de Corroios, ‘sobre a qual já endereçámos um email ao Presidente da ARS LVT a solicitar um ponto de situação’, a privatização de serviços públicos como o SNS, e a necessidade de ‘um acesso digno, universal e gratuito aos cuidados de saúde que lhe são devidos pelo Estado’.
A CUSC acusa ainda que ‘uma investigação da Ordem dos Enfermeiros concluiu que, entre 2011 e 2014, a proporção de doentes com graus de dependência elevado ou total nas urgências aumentou 45%. No mesmo período aumentou ligeiramente também a proporção de doentes em estado mais grave, triados com pulseiras vermelha e laranja.
A Secção Regional Sul da Ordem, que coordenou o trabalho, diz haver indícios de que o fenómeno estará ligado ao envelhecimento da população, mas também a um adiar das idas aos serviços de saúde por motivos económicos.
Os últimos anos de governação no sector da Saúde traduziram-se em:
• Enorme desinvestimento do Estado (Entre 2010 e 2014, a despesa com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) reduziu-se em 1.667 milhões de euros – cerca de 13% menos – e os cortes totais em despesas de saúde foram da ordem dos 2.398 milhões de euros);
• Os gastos das famílias com saúde, em relação ao PIB, atingiu quase 28%. Se contarmos com os seguros voluntários e a redução dos benefícios fiscais, então os números são bastante mais preocupantes, atingindo quase os 40%. Isto quer dizer que, além dos impostos correntes, as famílias portuguesas ainda suportam directamente mais de um terço do financiamento total. Muito mais que qualquer país da UE ou da OCDE;
• O número de camas nos hospitais públicos diminuiu drasticamente (com 3,2 camas por 100 mil habitantes, Portugal tem metade da média da UE (5,9) e um terço da Alemanha (8,6).
• As taxas moderadoras tiveram um aumento brutal de 117%, só entre 2013 e 2015;
• Entre 2010 e 2013, a despesa do Estado com a comparticipação em medicamentos diminuiu cerca de 10%;
• Para além do brutal decréscimo do número de profissionais no SNS, os seus salários nominais diminuíram cerca de 16% para os Médicos, 11% para os Enfermeiros, 10% para os Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e 9% para os Técnicos Superiores de Saúde tendo, como consequência, provocado uma enorme sangria de técnicos para o estrangeiro, uma sobrecarga de horas de trabalho e uma dispersão por um maior número de doentes, diminuindo a qualidade dos serviços prestados;
Os cortes enormes que os últimos governos têm imposto na despesa com o SNS estão a provocar:
• o fecho de centros de saúde e de serviços nos hospitais (recorde-se, em 2007, o encerramento dos SAP de Amora, Seixal e Corroios e a recente requalificação dos hospitais da península de Setúbal, com graves consequências para os utentes, que são reencaminhados muitas vezes para o Centro Hospitalar de Lisboa);
• dificuldades crescentes na marcação de consultas (o Centro de Saúde de Corroios tem as marcações preenchidas até ao final do ano);
• longa fila de espera para intervenções cirúrgicas e consultas de especialidade;
• falta de materiais e medicamentos indispensáveis nos hospitais e centros de saúde;
• insuficiência de profissionais de saúde para atender a população (o Centro de Saúde de Corroios perdeu já este ano 4 dos 10 médicos de família ali colocados, tendo o ACES afectado a este centro apenas um dos 9 médicos de família destinados a Almada/Seixal)
• o número de horas de espera nas urgências dos hospitais públicos tem transformado esses serviços em autênticos cenários de calamidade e fez aumentar o número de óbitos durante o período de espera.’

Fonte: José Lourenço – Comissão de Utentes de Saúde de Corroios

 

 

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